terça-feira, 17 de novembro de 2009

Fantasia final

Foi mais difícil que o normal aguentar o Zé nesta última semana. Em vez de se trancar no quarto, como de costume, ele resolveu afogar as mágoas assistindo a TV sem parar, sentado e muitas vezes deitado no lugar onde eu deveria dormir.

Estranho ver aquele cara, a quem eu tanto admirava nos tempos da escola, todo choroso do meu lado. Ele ficou a semana toda esperando por um comentário da Vanessa ao último post dele, quase postei uma resposta fake só pra ver o meu pedaço de sofá livre… ;-)

E pensar que o fim de semana em que o Zé esteve fora de casa foi bem proveitoso. Finalmente terminei a minha parte no mapa do game que me tomou quase três meses. O projeto ultrassofisticado dos meus sonhos acabou tendo que adaptar para os 8 bits, aproveitando essa modinha dos consoles antigos no PC e nos celulares.

Mas o melhor de ter o apartamento só para mim veio depois. Acabei convidando os meus amigos/sócios pra apresentar as rotinas do game. Mas eles tinham outros planos e não queriam saber de trabalho, sabendo que estava sozinho no apê.

E o que deveria virar uma reunião virou uma festinha (festinha mesmo, eram só 9 pessoas), onde acabei conhecendo Lulu, prima da ficante de um dos meus sócios (complicado?).

Bom, daí vcs sabem: papo vai, papo vem… um beijo aqui, outro ali… a galera avacalhando o clima… Até que enfim ficamos só os dois no apê. Já era manhã de segunda, e eu achava que o Zé ia chegar a qualquer momento.

Lulu ficou pra me ajudar a arrumar a bagunça, mas antes queria porque queria me arrastar pro quarto. Fiquei envergonhado de usar a cama do Zé, meio encucado até, depois do que aconteceu com ele. Acabou rolando no sofá mesmo, e acho que foi melhor, porque se acontecesse qualquer problema (e não aconteceu!), teria uma desculpa a menos pra arrumar.

Agora só preciso dar um jeito de tirar o Zé do meu sofá pra dar um espacinho pra Lulu…

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Cebolinha e Rosseau

Vou me valer da lógica nerd do Felipe para explicar meu plano infalível, dividido três partes: 1) passar uns dias na casa dos meus pais; 2) conseguir com eles algum dinheiro para repor as minhas economias e 3) convidar o meu mui amigo a se retirar de casa. Como? Convencendo minha ex-namorada a voltar comigo para São Paulo.

A ideia de me ver de novo com Vanessa e me afastar de garotas que se acham espertinhas demais como a Lara só não me animava mais que a sensação de ter o meu sofá-cama livre do traseiro (gordo? hahahaha) do Felipe. Estava disposto mesmo a me humilhar – algo que nunca faço – para tê-la de volta.

Acabou que o meu plano falhou de modo grotesco, porque: 1) minha mãe estava gripada e nem pode fazer aquela macarronada tradicional de domingo; 2) meu pai está há mais de três meses sem fazer uma venda (ele é corretor de imóveis) e, portanto, não pode mais financiar o futuro cineasta aqui; 3) Vanessa já está com outro cara.

Nem preciso dizer que, das três partes do meu plano infalível, o fracasso da terceira foi a pior. Depois, ao ir atrás de mais detalhes, descobri que minha ex começou a ficar com esse carinha – um babaca que estuda arquitetura na Unesp – apenas duas semanas depois de me deixar sozinho e cheio de contas para pagar em Sampa. Quem sabe – mas não consegui confirmar – já estivesse flertando enquanto ainda dividia o leito de nosso pequeno e outrora harmonioso apê.

Quando soube que eu estava na cidade, ela ainda tentou um encontro, pois achava que eu lhe devia desculpas por conta de um post neste blog, vejam só! De fato, quando escrevi sobre ela, ainda não havia combinado com o Felipe de darmos apelidos às pessoas retratadas aqui. Mas ela só comprovou a minha teoria ao me largar para ficar com esse outro nerd.

Na longa volta de ônibus para casa, ontem pela manhã, triste e abatido, foi impossível não me lembrar de Rousseau: “o homem nasce puro, o meio é que o corrompe”. Provavelmente, o filósofo teve uma desilusão parecida com a minha ao formular sua teoria máxima…

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Escola de Bastardos

Eu sou um tipo meio viciado nas coisas que faço, admito. Quando começo algo, não consigo parar enquanto não termino. Foi assim neste feriado em que acabei não viajando, por conta do maldito mapa de uma fase do jogo que estou desenvolvendo com dois amigos. Vocês não sabem o quanto é difícil desenhar uma palmeira decente. OK, prometo parar com a nerdice… O_O

Imaginei que teria o apartamento só para mim neste fim de semana prolongado, mas o Zé também ficou em Sampa, envolvido com as coisas da mostra de cinema. Ele gastou uma grana que não tinha para comprar um daqueles ingressos especiais, que dão direito a entrada em todas as sessões.

Nos falamos pouco até ontem à tarde, quando a Lara apareceu em casa. Era a primeira vez que a encontrava desde o incidente de semanas atrás. Ficou na cara que o Zé não gostou nada de vê-la ali, ele tinha prometido não trazê-la de volta ao apê para que eu não pudesse comentar mais nada no blog.

- Nós vamos ao cinema, quer ir também? – ela me convidou.

- NÃO! – disse o Zé, quase gritando - Esses filmes da mostra são muito cabeça pra ele.

- Quer saber, também estou cansada da mostra, por que não vamos assistir ao novo do Tarantino?

- Não sei, não quero atrapalhar nada – eu falei.

- Não vai, pode ter certeza – Lara disse, puxando meu braço e me tirando quase à força do sofá, com laptop e tudo.

Fiquei meio sem graça, mas precisava me distrair um pouco depois de quase três dias inteiros sem pôr os pés fora de casa. Fomos os três no carro da Lara. Notei uma mudança no comportamento dela com o Zé. Aquele ar de admiração deu lugar a uma ironia, o jeito como falava com ele era desafiador o tempo todo. Já o meu amigo parecia bem menos confiante, mas lutava para manter a pose e descarregava a raiva em mim sempre que podia.

Não vou aqui falar do filme, pois não sei se quem lê este blog já assistiu (mas deveria!). Até eu, que não sou um grande fã do Tarantino, saí de alma lavada do cinema. Foi o que eu disse a Lara quando ela me perguntou, já na praça de alimentação, o que eu achei do filme. O Zé tinha uma opinião mais elaborada, e era algo mais ou menos assim:

- Tarantino realizou um caso raro de “wishful thinking”, de realizar na tela algo que todos nos desejamos. Houve outras fantasias históricas sobre Hitler, mas não em forma de aventura picaresca com os fatos e estereótipos…

Lara olhou-me por um instante, parou para pensar, e disparou:

- Espere, acho que li isso em algum lugar. Zé, essa opinião é sua mesmo ou de algum crítico de cinema?

- Ora, ora, é minha, como não? É claro que eu li algo a respeito do filme, é minha obrigação como estudioso, assim como vc, mas, ora, eu…

Ele gaguejou mais um pouco, até ela interrompê-lo com um beijo bem quente, que (ok, confesso!) me deixou com uma ponta de inveja e saudades das minhas “emos oferecidas”, como diz o Zé.

No carro, Lara insistiu para subir ou para eles irem à casa dela, mas o Zé estranhamente alegou estar ocupado em um projeto, falando no mesmo tom gaguejante.

Quase me ofereci para ir no lugar dele - e acho que ela seria capaz de aceitar, só pelo descaso - mas o maldito instinto de camaradagem masculina falou mais alto.

Acabamos a noite com os dois assistindo “Super Escola de Heróis”, na Tela Quente - ele, para variar, falando mal do filme o tempo inteiro.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Vida Como Ela É

Então aqui estou eu, em meio a uma trama que deixaria Nelson Rodrigues corado de vergonha, graças ao meu colega de República. O pobre imaginou que a reação ao último post dele me faria perder a cabeça e partir para a ignorância. Como se eu fosse sujar minhas mãos quando meu verdadeiro talento está no intelecto... Ora, Felipe, eu deveria agradecê-lo por ter mais uma oportunidade de humilhá-lo em público!

Vejamos: parece que diante de uma descrição um tanto fantasiosa do cara que paga para dormir no meu sofá as pessoas foram levadas a pensar que eu tenho alguma espécie de problema de ereção, vejam só… Ora, quem lê este blog sabe que já tive uma namorada por dois anos. E ela nunca reclamou da minha, digamos, performance debaixo dos lençóis.

Caros, a minha relação com Lara Croft (gostei do apelido, apesar de não ter a menor ideia de quem seja) vai muito além de questões sexuais. Ao contrário do Felipe, que se atraca com qualquer emo oferecida por aí, eu tenho um mínimo de critério.

E isso inclui uma boa dose de seleção natural (beleza é claro) e, principalmente, intelectual. Não que Lara seja um poço de sabedoria (imaginem que ela nunca havia assistido um Fellini antes…), mas, para usar um termo vulgar, “dá para o gasto”.

Naquela noite fatídica, estávamos apenas cansados, havíamos discutido muito uma ideia minha para um projeto de roteiro. Ficamos um tempo (não sei exatamente quanto) lá no quarto conversando, os dois nus, como em uma cena de um bom filme francês, enquanto na sala o Felipe – sozinho - assistia a mais um filme ridículo de Hollywood.

O sexo ali era completamente desnecessário, Lara e eu estávamos obtendo uma outra forma de prazer, muito mais elevada. Ela provavelmente riria muito – assim como eu ri – quando li o post do meu amiguinho nerd... Então, foi bom pra você, Felipe?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Viva a noite

Acabei conhecendo a nova garota do Zé, a quem vou chamar carinhosamente de Lara, pela semelhante com a musa do Tomb Raider (não revelo a semelhança nem sob tortura).

Foi meio que sem querer. Estava em casa no sábado à noite terminando um projeto (conto depois, me cobrem) e assistindo a TV quando os dois chegaram. O Zé me olhou com aquela cara de “que diabos vc está fazendo aqui”, mas não tinha me avisado nada que traria alguém em casa. Foi a primeira vez que isso aconteceu desde que passamos a dividir o apê

Lara foi bem simpática. Ela parecia admirada com o conhecimento do Zé em cinema, literatura e afins e, como eu se esforçava em acompanhar o raciocínio complicado dele.

Os dois fizeram um macarrão e tomaram um vinho na cozinha, enquanto eu fiquei na sala, sem ter para onde ir, já que é o lugar onde eu durmo no nosso apê de um quarto. Beberam umas duas taças e se trancaram no quarto.

Vejam, eu fiz um esforço para não ouvir o que rolava lá dentro, havia acabado de começar um filme bem legal no SBT (O Advogado do Diabo), mas a verdade é que não deu para ouvir muita coisa mesmo. Primeiro uma conversa, uns gemidos de leve, depois mais conversa e uns sons não identificados.

Não contei quanto tempo se passou, mas quando os dois saíram do quarto o filme ainda estava na segunda parte. Ela passou primeiro, dando um tchau rápido quando passou por mim. O Zé foi atrás dela, sem falar comigo.

Confesso que não entendi, os dois devem ter brigado, mas ela não tinha cara de quem estava nervosa, só o Zé, que transpirava debaixo dos óculos. Da porta do quarto aberta, vi uma cena pra lá de estranha: um monte de preservativos e embalagens abertas espalhados em volta da cama.

Na volta, perguntei ao Zé o que aconteceu, mas adivinhem se ele respondeu? Apenas se trancou no quarto, não sem antes dizer que o filme da TV era uma droga.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cinema novo, garota nova

Eu só gostaria de deixar uma coisa clara: Felipe e eu não somos amigos. Eu nem sequer sabia quem ele era até dois meses atrás, apesar de ele me conhecer como veterano na escola onde estudamos em Bauru.

Por um acaso do destino ele dorme na sala do apartamento onde eu moro e divide as despesas comigo, pelo menos até que as coisas comecem a dar certo para mim aqui em Sampa, o que eu espero que aconteça em breve.

Pode parecer soberba da minha parte, e é mesmo. Não vou dizer que não fiquei chocado quando soube que o Felipe ficou com a minha ex, mas nada que tenha tirado o meu sono. Se por acaso fiquei sem falar com ele foi porque simplesmente tinha mais o que fazer.

Se Felipe fosse meu amigo, não saberia só aqui pelo blog que já estou de rolo com uma garota da faculdade. Começamos um lance durante uma festa da turma na sexta passada, depois de um papo regado a muito álcool e Cinema Novo.

Não, Felipe! Cinema Novo não é aquele que inauguraram recentemente no shopping perto de casa… hahahahaha

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Equalize

Depois de publicar o post anterior, o Zé passou dois dias sem trocar uma palavra comigo, como se a culpa de todo o enrosco fosse minha. Não adiantou me desculpar, embora parecesse estranho me desculpar por ter ficado com a ex-namorada dele antes de eles namorarem.

Foram dois longos dias em que ele se trancava o dia inteiro no quarto e só saía à noite para ir à faculdade, depois de mim. Ao me ver, na volta, ele simplesmente se levantava do sofá onde assistia à TV e se fechava no quarto de novo.

Talvez estivéssemos nesta rotina até hoje, se não fosse a Pitty, ou melhor, o desprezo do meu colega de apartamento pela roqueira baiana. Foi durante a apresentação dela no Video Music Brasil, da MTV, que ele decidiu quebrar o silêncio partindo para cima de mim. Mas em vez de me partir a cara, como eu imaginava que ele fosse fazer, ele apenas disse:

-- Felipe, será que você não percebe? Rimar “me adora” com “sou foda” é ridículo.

Para puxar conversa, perguntei por que ele achava a música ruim, e o que deveria fazer para identificar uma rima ridícula. Era a deixa que ele precisava para me dar uma longa explanação sobre o lixo da música adolescente atual, do qual a Pitty era uma das protagonistas.

Não sei se me convenci, em todo caso, para não abalar o precário acordo de paz que selamos, decidi só ouvir as minhas músicas no ipod.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Fora da ordem

Veja só. Vanessa foi minha primeira namorada séria, depois dos casinhos fortuitos do colégio. Foi lá que nos conhecemos, passamos dois anos juntos e chegamos a morar aqui neste apartamento que agora divido com o Felipe por seis meses antes de ela decidir voltar para casa. Não houve nenhuma briga, nenhum rompimento entre nós, chegamos a cogitar a continuidade do namoro a distância, mas ela própria abortou a ideia.

Veja só. Essa mesma pessoa -- tão querida, tão próxima, com uma história inacabada ao seu lado -- recebe um email meu com o endereço deste blog e a sugestão de leitura. Mas eis que, ao decidir comentar, ela o faz no post do meu colega, e de uma maneira impessoal, como se quem estivesse aqui, abrindo as entranhas em público, fosse um casinho fortuito do colégio. E era.

-- Você viu que a Vanessa nos tratou da mesma forma?

-- O quê? Como assim? –- perguntou Felipe.

-- ‘Meninos’, ela nos chamou de ‘meninos’.

-- E o que isso quer dizer?

-- Que, para ela, nós dois estamos no mesmo nível. Eu, o namorado com quem até pouco tempo atrás ela dividia apartamento, e você… Espere, você conhecia a Vanessa?

-- Eu? Não, quer dizer, da escola. Nós éramos da mesma classe, um ano atrás de você. E, estudando juntos, a gente, assim, se conheceu.

-- Sei, então vocês trocaram umas bitocas nessa época…

-- É.

Veja só. Foi uma pergunta retórica, em tom de ironia. Eu não esperava uma confirmação. Não, eu jamais esperaria que a Vanessa pudesse ser capaz de ficar com alguém como o Felipe. Ele se esforçou em explicar que tudo aconteceu antes, os dois eram próximos, ele a ajudava em algumas lições, Vanessa era conhecida por ser fraca nas matérias exatas.

-- Vai ver ela ficou com pena de mim, na época.

Eu não concordei na hora, mas só pode ser isso. Eu não via explicação mais convincente. Veja, Felipe é um cara legal, mas nada interessante, ou pelo menos não é o tipo de cara que arranca suspiros das mulheres, digamos assim. Pena, só pode ser, só pode ser…

sábado, 19 de setembro de 2009

O blog

Design de Games! Quantas vezes vou ter de repetir, Zé? Mas deixa pra lá. Você escreveu tanto que esqueceu de dizer como chegamos ao nome do blog. Eu me lembro como se fosse hoje do seu discurso, até por que foi só há duas semanas.

- A gente precisa de algo que nos una e represente a nossa personalidade

- Tem razão, mas como fazer isso se não temos nada em comum?

O Zé nem se lembrava de mim, mas estudamos juntos no ensino médio, em classes diferentes. Ele era o cara mais requisitado da escola, com aquele cabelão comprido e sempre com o violão debaixo do braço. A mulherada pagava um pau, não é mesmo? Eu nunca tive esse apelo, na verdade estou aqui em São Paulo para aprender com ele como se faz…

Pensei até em batizar o blog com o nome da nossa escola, mas ele detestou. O problema é que não tenho muita paciência pras coisas que ele gosta. Eu dormi de babar no dia em que ele alugou aquele filme do cara no deserto, qual era mesmo? Era pra ser o nome do blog, mas desta vez fui eu quem disse não.

Acho que foi só no dia em que botei aquela música do Radiohead que estava no meu MP3 pra rolar no note que a ficha caiu.

- Que tal “Aliens Subterrâneos”?

Ele ficou quieto, o que eu entendi como uma aprovação. Depois de procurar aqui no blogspot e ver que o nome não estava registrado, criei nossos perfis e o leiaute, sempre com ele do lado, dando pitacos e dizendo coisas do tipo: “não vai parecer ridículo?”.

Eu não estou nem um pouco preocupado, Zé. Ridículo ou não, tenho certeza que vai ser divertido.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O começo e o fim

Faz quase dois meses que Felipe veio morar em casa. Posso dizer que a imagem daquele moleque desengonçado que bateu na porta de em casa com uma mochila nas costas e um laptop debaixo do braço me assombra até hoje.

Foi surpreendente vê-lo são e salvo na minha frente, e com aquele objeto precioso e constante alvo de ladrões à mão. Para dizer a verdade, até torci para ele se ser assaltado, sequestrado quiçá, traumatizar-se com a cidade grande e voltar para a nossa querida e distante Bauru.

A ideia do blog conjunto foi dele, uma maneira de contarmos aquilo que jamais teríamos coragem de dizer na frente do outro, como o parágrafo acima. Ele criou o design e o endereço, mas fiz questão de que o primeiro post fosse meu, para não espantar potenciais leitores.

Estou me acostumando à ideia de escrever aqui. Sei que perder parte do meu tempo no blog me desvia dos grandes planos, de trabalhar nas verdadeiras ideias. Mas, como disse Felipe, pode ser uma forma de treino, de qualquer maneira. Quem sabe essa história não vira um filme qualquer dia?

Tenho um raciocínio meio complexo, coisa de quem é artista por natureza, talvez. Meu nome é José e tenho 20 anos. Estou em São Paulo há quase um ano para estudar cinema, minha maior paixão depois que Vanessa, minha ex, resolveu voltar para Bauru.

Tínhamos planos ambiciosos: montar uma produtora nesse pequeno apartamento que alugamos e fazermos filmes juntos, dirigidos e escritos a quatro mãos. Um dia, porém, ela resolveu voltar para casa. Foi uma decisão súbita: não havíamos brigado (nós nunca brigamos) e vivíamos uma deliciosa lua de mel, sozinhos e longe de nossos pais.

Foi difícil me recuperar. Enquanto padecia emocionalmente, as contas não paravam de chegar, e sem a grana que os pais de Vanessa mandavam não dava para me sustentar.

Estava quase desistindo e voltando para casa quando minha mãe me disse que um garoto, filho de uma amiga lá em Bauru, vinha para São Paulo estudar computação (na verdade, design de computador, ou algo do tipo).

Foi assim que Felipe passou a ocupar o sofá da sala e a produtora de cinema se transformou em um blog de internet. Bem, não deixa de ser um começo, não é mesmo?