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terça-feira, 16 de março de 2010

Armadilha final

Quando começamos este blog, imaginei que fosse encontrar aqui pessoas dispostas a compartilhar pensamentos e encarar discussões de alto nível, cheguei até a brindar os leitores com algumas de minhas histórias que, certamente, virarão clássicos instantâneos do cinema dentro de alguns anos.

Não obstante, tudo o que recebi de volta foram insinuações descabidas e comentários tolos sobre minha vida sexual. Pois bem, então daremos um pouco de circo ao povo hoje!

Reconheço que meus padrões são mesmo elevados, mas abri uma concessão importante quando comecei a sair com Elena. Jamais imaginava que pudesse trocar mais do que duas palavras com alguém que frequentava o mesmo meio social do meu colega de apartamento.

Se fui tolerando os deslizes dela sobre conhecimentos culturais mínimos, foi para não ser acusado de arrogante. Sim, a beleza dela também me entorpeceu, principalmente aquela pele morena, do tipo que ficava quase negra depois de um fim de semana na praia.

De certo modo, achava que podia transmitir a ela ao menos um pouco do meu conheço, e também ao Felipe. Por isso insistia para que ele fosse conosco ao cinema e assistisse à cerimônia do Oscar. E pensei que estivesse no caminho certo quando ele sugeriu que assistíssemos ao documentário sobre o Jards Macalé em cartaz no cinema, aproveitando que Elena estaria fora no fim de semana.

É claro, eu podia ter desconfiado quando, depois de assistirmos ao filme, ele quis ir direto para casa, mas se recusou a subir, dizendo ter outro compromisso e que passaria a noite fora. Lá em cima, Elena me esperava e revelou ter combinado toda a jogada com o Felipe. Assim, ela teve tempo de preparar um jantar romântigo com direito a vinhozinho e, nas palavras dela, “criar o clima” para nós.

Até que começamos bem, mas eu continuava irritado por ter sido enganado, e as coisas começaram a degringolar depois do jantar, quando ela me arrastou para o meu antigo quarto, tomado pelo Felipe na base da grana.

Estava evidente que ali não tinha clima para acontecer nada. Mas ela insistiu naquele estranho ritual de tirar as minhas roupas e tentar me fazer pegar no tranco, como se eu fosse um carro velho. É claro que eu poderia levá-la à loucura a hora que quisesse, mas estava decidido a não dar esse gostinho a ela, só de pirraça.

No final, ela ainda teve a coragem de me perguntar se a culpa era dela, como se não fosse óbvio! Definitivamente, não estou disposto a aturar joguinhos de sedução de quinta categoria, tirados de filmes pornôs enlatados.

terça-feira, 2 de março de 2010

Paredão

Como vocês devem imaginar, este vosso humilde escriba odeia programas como o Big Brother Brasil. Infelizmente, agora que forçosamente cedi o quarto para o meu colega mais bem provido de posses e passei a dormir na sala, sou obrigado a assistir a essas porcarias na TV. Aliás, “porcaria” e “TV” para mim são praticamente sinônimos.

Devo reconhecer, não obstante, que minha vida bem se parece com a de um BBB nos últimos tempos, a ponto de achar que, às vezes, o Pedro Bial está conversando diretamente comigo durante as transmissões. Afinal, todos parecem saber o que acontece na minha casa e tiram suas próprias conclusões – erradas, claro – dos meus posts aqui neste blog.

Mas o pior foi ver que alguns comentários maldosos e desprovidos de fundamento acabaram influenciando o comportamento da minha namorada. Ela começou a relacionar a minha doença no Carnaval, a perda do quarto para o Felipe e outros mal-entendidos relatados no blog a uma suposta inabilidade para concretizar o ato sexual. E ainda acha que eu estaria evitando situações em que pudesse ficar sozinho com ela, com receio de que poderia “rolar” algo.

Foi duro – sem trocadilho – convencê-la de que minha visão sobre sexo e diferente da dos demais mortais. Convenhamos – eu disse a ela - se eu quisesse, poderia trazer pelo menos uma garota por semana para o apartamento. Nada que um pouco do meu charme e da minha capacidade de conquista não fossem capazes de conseguir, ainda mais na faculdade, onde a quantidade de mulheres fáceis por metro quadrado é acima da média. O fato é que prefiro deixar esse tipo de conquista barata para o meu roomate.

- Pois então acho melhor você ficar esperto, porque o seu roomate já tentou me passar várias cantadas baratas. E olha que eu sou louca por uma liquidação – ela ameaçou.

- O que é isso? Um paredão? – perguntei, enquanto assistíamos ao BBB no sábado.

- Não, eu já escolhi você faz tempo!

As insinuações em meio à transmissão televisiva nos inspiraram a ensaiar umas carícias debaixo do edredon, mas o desconforto do sofá-cama e o receio de o Felipe chegar a qualquer momento não nos deixavam relaxar. Não, nossa primeira noite de amor não devia ocorrer daquela forma. Acho que desta vez ela entendeu.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Todo carnaval tem seu fim

Acredito que não seja surpresa para ninguém que não gosto de carnaval. Mas apesar de não apreciar o festejo popular, nada tenho contra o descanso de três dias que todos temos nesta semana.

Felipe e os amigos sonsos planejaram voltar à casa que alugaram no Ano Novo. E, agora na condição de namorado da Elena, resolveram me chamar para acompanhá-los. É claro que neguei, não só pelo desprazer da companhia mas também pela falta de grana.

Para minha surpresa, Elena decidiu não ir com eles e ficar para me fazer companhia. Ela passou a semana passada quase toda planejando o nosso carnaval romântico: comprou comida no supermercado, vários filmes para assistirmos em DVD e um estoque enorme de preservativos para a nossa prèmiere.

Enquanto Felipe fazia as malas para ir, ela trazia as coisas para cá. Meu amigo mal escondeu a inveja e a vontade de estar no meu lugar, mas ainda veio me desejar um “bom Carnaval” bem falso, para não dizer irônico, antes de pegar a carona para a praia.

Talvez tenha sido praga dele, o fato é que pouco antes de Elena chegar, ainda na noite de sexta, comecei a passar muito mal. Uma ânsia de vômito misturada com dor de barriga, algo indescritível cuja enfermidade não consegui identificar, pois não tive nenhum sintoma externo visível, algo que pudesse ser detectado num pronto-socorro, para onde ela quis me levar.

Dos nossos planos, só conseguimos assistir aos filmes, sugeri até que alugasse mais alguns, já que no domingo já havíamos visto todos. Mesmo estando mal do estômago, me forcei para comer e não ficar ainda pior, mas é claro que nenhuma comida me caía bem e abortava qualquer esboço de recuperação.

O clima até chegou a esquentar algumas vezes, mas expliquei a ela que não estava em condições de lhe proporcionar uma verdadeira experiência romântica. Eu não gostaria que ela me comparasse depois a algum desses nerds tipo o Felipe com quem ela foi para a cama antes de mim.

Bem, só escrevo isso em plena terça de Carnaval, ainda convalescente, porque acho que Elena não entendeu nada e acabou indo embora ontem à tarde. Perguntei se ela voltava, mas só ouvi em resposta da sala a porta batida na minha cara.

É claro que estou chateado pela situação, mas se ela não voltar será apenas mais uma prova de que se trata de mais uma garota tola e fútil cujo destino será correr atrás de idiotas que passam a maior parte do tempo jogando videogames e falando sobre computadores. Qualquer semelhança com alguém que vocês conhecem deste blog não será mera coincidência…

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Pandora

Acho que a situação deste blog passou um pouco dos limites. A maioria não sabe e espero que jamais saiba quem sou, mas a quantidade de pessoas que já conhecem a minha identidade verdadeira começa a me incomodar, e muito.

Primeiro, o próprio Felipe. Depois, a Vanessa e alguns dos amigos nerds do Felipe e que se acham o máximo só porque têm aqueles iBostas e outras bugigangas tecnológicas. E pensar que a minha intenção, no início, era mostrar o blog para o pessoal da faculdade. Ainda bem que mudei de ideia…

Enfim, acho que chegamos a um ponto de ruptura, agora que a garota com quem estou saindo não só sabe quem sou de verdade como acompanha o blog. Por sorte, consegui convencê-la de que a maioria das coisas que o Felipe escreve aqui não passa da tosca imaginação dele.

Imaginação esta que não foi capaz de ver que a Elena nada tem a ver com a personagem do Street Fighter a quem ele se inspirou para dar o apelido. O tonto provavelmente nem se deu conta de que a pele mais escura vem da ascendência libanesa da família dela. Ao contrário de mim, que viro um camarão quando vou à praia, a pele dela fica bronzeada de verdade.

Pois bem, no sábado combinamos de ir ao cinema assistir Avatar. É claro que, por mim, jamais perderia tempo com esse lixo hollywoodiano, mas achei que seria forçar a barra levá-la para ver algum europeu que, provavelmente, só eu entenderia.

Elena é, de fato, muito diferente das garotas com quem saí antes, e que na verdade se pareciam muito mais comigo. Imaginem que ela não sabia quem era Truffaut! Olhe que as outras poderiam até não saber, mas jamais admitiriam com tanta facidade e sem peso na consciência como ela fez.

Essa falta de conhecimentos básicos, que seria fatal para qualquer início de relação comigo, acabou não atrapalhando. Elena parecia me conhecer tão bem – provavelmente por ter me lido aqui – que era como se estivéssemos juntos há muito tempo. É, assim como o personagem principal do filme, estou me identificando cada vez mais com o meu avatar. Resta saber se conseguirei, ou desejarei, voltar…

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Auto ajuda

Provavelmente tem gente que deve achar que eu guardo algum tipo de sentimento negativo em relação ao meu colega de apartamento. Mas não. Eu só consigo sentir pena. O pobre, com os hormônios adolescentes à flor da pele, ficou todo serelepe depois de participar de uma orgiazinha no fim de ano. Se querem saber, eu não trocaria a minha virada introspectiva e criativa por nada.

Também sinto pena da minha pobre ex-namorada, que a essa hora, apesar de não reconhecer e talvez nem mesmo perceber, deve estar chorando a minha falta enquanto se joga aos braços de um idiota qualquer. Sinto ainda pelos leitores que vêm aqui detratar, por pura incompreensão, o meu talento artístico, e se valem de expedientes como a difamação de minha virilidade, como se o sexo realmente fosse mais importante que os valores intelectuais.

Enfim, espero que meus posts ao menos sirvam para levar um pouco de cultura a quem não tem. Seguindo nessa linha, segue mais uma das ideias que trabalho no momento. O papel feminino (como todos) era seu, Vanessa. Espero que você se amargue de arrependimento quando for ao cinema!

“Lucas e Andressa resolvem se mudar da cidade do interior onde vivem juntos para tentar a vida na capital. Ele é um jovem escritor e poeta e ela é atriz, mas sustenta os dois dando aulas particulares de inglês. Incompreendido pelos tolos que não reconhecem seu talento, ele sofre por não trazer dinheiro para casa, mas Vanessa não se importa, pois sabe da genialidade de Lucas e se sente recompensada pela voluptuosidade do namorado na cama. [O filme terá uma grande cena de sexo, toda filmada em câmera lenta, à meia luz e de forma poética, não desse jeito vulgar do Felipe]. No final, a bela Andressa, ainda alucinada pela noite de amor, acaba se distraindo ao atravessar a rua e morre atropelada por um ônibus. Desesperado, Lucas toma-a nos braços e escreve versos de despedida com o sangue da amada no asfalto. FIM

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Rumo a Sundance

Passar as festas de fim de ano sozinho até que não foi ruim. É verdade que foi a primeira vez que passei longe dos meus pais e, depois de dois anos, o primeiro Reveillon sem a Vanessa. Mas imaginem ter de compartilhar o mesmo teto que o Felipe e os idiotas dos amigos dele em Ubatuba ou estar envolvido com alguma garota do tipo dessas que vêm ao blog dos outros espalhar maledicências.

Tive até uma grande ideia para o argumento de um curta, confiram:

“Diego, um jovem e brilhante artista, sai do interior em busca de reconhecimento na capital. Sozinho, depois de ser abandonado pela namorada fútil e mimada, e sem dinheiro, perambula pelas ruas da cidade no último dia do ano. Acompanha, anônimo, a corrida de São Silvestre na passagem dos atletas pela Consolação. Em meio à multidão, anota versos e fragmentos de histórias em seu pequeno bloco de notas que os demais tolos sequer imaginam que se tratam de futuras obras de arte. Antes de voltar para o apartamento, compra no supermercado uma garrafa de Espuma de Prata. Embebeda-se e, pouco antes da meia noite, liga para a antiga namorada, declamando um dos poemas – de uma beleza única - que acabara de escrever no bloco de notas. Do outro lado da linha, ela chora de arrependimento e implora perdão a Diego, que desliga o telefone abruptamente. Na virada do ano, o artista rasga a folha com os versos imortais em mil pedaços e os atira pela janela. Depois de exorcizar os fantasmas do passado, recebe a visita misteriosa de uma bela garota, de quem arranca as roupas e faz amor de forma efusiva enquanto sobem os créditos.”

Vai ser uma delícia um dia reler os comentários desse blog e saber que muitos dos que caçoaram de mim aqui serão meus admiradores…

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Garotas e garotas

O Felipe resolveu viajar na sexta-feira para passar o natal na praia e fingiu ignonar o meu apelo para apagar um comentário impertinente no post anterior. Eu tinha planos de passar o fim de ano em Bauru, até descobrir que a minha reputação também estava meio queimada por lá.

Apesar de dizer que não se importa mais e até de arrumar outro cara, é claro que a Vanessa não deixa de acompanhar esse blog. E ela acreditou mesmo que eu tivesse sido capaz de ir para cama com outra garota enquanto estávamos juntos.

- Quem é essa Majô? – ela me perguntou, ao telefone.

- Não sei, já pedi para o Felipe apagar esse comentário, mas ele sumiu do mapa, nem o celular atende.

- Como você pode fazer isso comigo, depois de tudo que eu aguentei do seu lado?

- Como assim? Vai dizer que acreditou naquela bobagem?

- Ora, será que depois de tudo o que aconteceu você ainda acha que não tem nenhum problema?

- Vanessa, essa garota que escreveu no blog é louca, eu…

É claro que ela não me deixou explicar. E também não vou reproduzir aqui o que ela me disse, apenas que foi o suficiente para ferir (um pouco) a minha autoestima.

Não é todo dia que você descobre que a garota com quem você esteve comprometido e apaixonado por dois anos é uma qualquer que ficava pensando em outros caras enquanto fazia amor e ainda tem a cara de pau de chamá-lo de… bem, vocês sabem o termo para homens incapacitados de dar prazer a uma mulher.

Entendo que ela estava com raiva por pensar que eu a traí, e só por isso resolveu me xingar e dizer todas essas mentiras. Por outro lado, esse deve ser um sinal inequívoco de que ela ainda me ama, apesar de insistir em dizer o contrário.

Deve ser mesmo difícil esquecer alguém como eu, Vanessa é uma pessoa inteligente, ao contrário dessas que o Felipe traz para casa só para me provocar, e aquele papo de sexo deve ter sido apenas uma maneira subjetiva de ela querer me atingir.

O nível intelectual das garotas em geral é mesmo muito baixo, mas um dia hei de encontrar alguma que consiga me compreender em toda a minha complexidade. Alguém se habilita?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Os idiotas

Prometi a mim mesmo que não ia mais atualizar o blog, mas aqui estou eu de novo. Acho que um dia, quando for um cineasta consagrado, vou reler estes posts e rir muito das bobagens que escreveram e comentaram a meu respeito.

Mas enquanto esse dia não chega, preciso conviver com a minha rotina de falta de grana. O Felipe pensa que me fez um favor ao assumir a minha parte na conta da banda larga e a TV a cabo, mas isso já devia ter acontecido há muito tempo, já que é só ele quem usa essas porcarias.

Nessa reta final de faculdade, em meio aos trabalhos e provas, decidi me dedicar um pouco mais, mesmo sabendo que tenho pouco a aprender, os professores são todos uns idiotas. Imaginem só que o meu professor de Argumento teve a coragem de dizer que eu precisava ler mais se quisesse melhorar o meu texto! Ora, vá dizer isso ao analfa do meu roommate…

Se não leio mais (não que eu precise, leio porque acho importante intelectualmente), a culpa é dele, que justo agora resolveu dar uma de Don Juan. Depois da cachorrinha Lulu, chegou em casa no sábado à noite com uma garota a tiracolo, provavelmente mais uma idiota fã da série Crepúsculo que acha o Felipe parecido com o Edward só por causa do cabelinho espetado e da pele branquela.

E vejam a proposta indecente que o nosso vampiro me fez: alugar o meu quarto para ele passar a noite com a tal idiota. É claro que eu neguei, apesar de estar mesmo precisando de alguma grana. Os dois acabaram no sofá e eu preso no quarto. E ainda fui obrigado a ouvir os gemidos estridentes da idiota boa parte da noite, como se garotas de verdade fizessem mesmo esse tipo de coisa… ha ha ha

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Assim é que se faz

Muitos já perceberam que este é um blog de ficção. Quem ainda não o fez que leia o aviso ao lado, ou então o último post do Felipe. É claro que ninguém acreditou que eu iria ficar o dia inteiro de bode na sala por causa de uma ex-namorada que resolveu ir embora há quase meio ano. Logo eu que nunca assisto a essas bobagens da TV…

Se fiquei chateado, foi porque a volta dela representaria a expulsão automática do companheiro de república fofoqueiro que me arrumaram. E também porque estou realmente muito sem grana, enquanto vejo esse figura com quem eu divido o apartamento o gastar dinheiro que ele ganha sei lá como em parafernalhas tecnológicas inúteis.

Mas pelo menos ganhei uma folga neste feriado. Assim como o Felipe aproveitou a minha ausência para fazer uma festinha (provavelmente um campeonato de videogame hahahahaha), eu também passei os três dias muito bem acompanhado.

Convidei a Lara para conferir alguns DVDs clássicos da minha coleção, e com o sofá e o resto do apê livre vocês podem imaginar o que aconteceu! Acabamos nós mesmos fazendo nosso próprio filme, e com cenas pra lá de picantes... E com tantas continuações que deixariam Jason e Halloween com inveja!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Cebolinha e Rosseau

Vou me valer da lógica nerd do Felipe para explicar meu plano infalível, dividido três partes: 1) passar uns dias na casa dos meus pais; 2) conseguir com eles algum dinheiro para repor as minhas economias e 3) convidar o meu mui amigo a se retirar de casa. Como? Convencendo minha ex-namorada a voltar comigo para São Paulo.

A ideia de me ver de novo com Vanessa e me afastar de garotas que se acham espertinhas demais como a Lara só não me animava mais que a sensação de ter o meu sofá-cama livre do traseiro (gordo? hahahaha) do Felipe. Estava disposto mesmo a me humilhar – algo que nunca faço – para tê-la de volta.

Acabou que o meu plano falhou de modo grotesco, porque: 1) minha mãe estava gripada e nem pode fazer aquela macarronada tradicional de domingo; 2) meu pai está há mais de três meses sem fazer uma venda (ele é corretor de imóveis) e, portanto, não pode mais financiar o futuro cineasta aqui; 3) Vanessa já está com outro cara.

Nem preciso dizer que, das três partes do meu plano infalível, o fracasso da terceira foi a pior. Depois, ao ir atrás de mais detalhes, descobri que minha ex começou a ficar com esse carinha – um babaca que estuda arquitetura na Unesp – apenas duas semanas depois de me deixar sozinho e cheio de contas para pagar em Sampa. Quem sabe – mas não consegui confirmar – já estivesse flertando enquanto ainda dividia o leito de nosso pequeno e outrora harmonioso apê.

Quando soube que eu estava na cidade, ela ainda tentou um encontro, pois achava que eu lhe devia desculpas por conta de um post neste blog, vejam só! De fato, quando escrevi sobre ela, ainda não havia combinado com o Felipe de darmos apelidos às pessoas retratadas aqui. Mas ela só comprovou a minha teoria ao me largar para ficar com esse outro nerd.

Na longa volta de ônibus para casa, ontem pela manhã, triste e abatido, foi impossível não me lembrar de Rousseau: “o homem nasce puro, o meio é que o corrompe”. Provavelmente, o filósofo teve uma desilusão parecida com a minha ao formular sua teoria máxima…

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Vida Como Ela É

Então aqui estou eu, em meio a uma trama que deixaria Nelson Rodrigues corado de vergonha, graças ao meu colega de República. O pobre imaginou que a reação ao último post dele me faria perder a cabeça e partir para a ignorância. Como se eu fosse sujar minhas mãos quando meu verdadeiro talento está no intelecto... Ora, Felipe, eu deveria agradecê-lo por ter mais uma oportunidade de humilhá-lo em público!

Vejamos: parece que diante de uma descrição um tanto fantasiosa do cara que paga para dormir no meu sofá as pessoas foram levadas a pensar que eu tenho alguma espécie de problema de ereção, vejam só… Ora, quem lê este blog sabe que já tive uma namorada por dois anos. E ela nunca reclamou da minha, digamos, performance debaixo dos lençóis.

Caros, a minha relação com Lara Croft (gostei do apelido, apesar de não ter a menor ideia de quem seja) vai muito além de questões sexuais. Ao contrário do Felipe, que se atraca com qualquer emo oferecida por aí, eu tenho um mínimo de critério.

E isso inclui uma boa dose de seleção natural (beleza é claro) e, principalmente, intelectual. Não que Lara seja um poço de sabedoria (imaginem que ela nunca havia assistido um Fellini antes…), mas, para usar um termo vulgar, “dá para o gasto”.

Naquela noite fatídica, estávamos apenas cansados, havíamos discutido muito uma ideia minha para um projeto de roteiro. Ficamos um tempo (não sei exatamente quanto) lá no quarto conversando, os dois nus, como em uma cena de um bom filme francês, enquanto na sala o Felipe – sozinho - assistia a mais um filme ridículo de Hollywood.

O sexo ali era completamente desnecessário, Lara e eu estávamos obtendo uma outra forma de prazer, muito mais elevada. Ela provavelmente riria muito – assim como eu ri – quando li o post do meu amiguinho nerd... Então, foi bom pra você, Felipe?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cinema novo, garota nova

Eu só gostaria de deixar uma coisa clara: Felipe e eu não somos amigos. Eu nem sequer sabia quem ele era até dois meses atrás, apesar de ele me conhecer como veterano na escola onde estudamos em Bauru.

Por um acaso do destino ele dorme na sala do apartamento onde eu moro e divide as despesas comigo, pelo menos até que as coisas comecem a dar certo para mim aqui em Sampa, o que eu espero que aconteça em breve.

Pode parecer soberba da minha parte, e é mesmo. Não vou dizer que não fiquei chocado quando soube que o Felipe ficou com a minha ex, mas nada que tenha tirado o meu sono. Se por acaso fiquei sem falar com ele foi porque simplesmente tinha mais o que fazer.

Se Felipe fosse meu amigo, não saberia só aqui pelo blog que já estou de rolo com uma garota da faculdade. Começamos um lance durante uma festa da turma na sexta passada, depois de um papo regado a muito álcool e Cinema Novo.

Não, Felipe! Cinema Novo não é aquele que inauguraram recentemente no shopping perto de casa… hahahahaha

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Fora da ordem

Veja só. Vanessa foi minha primeira namorada séria, depois dos casinhos fortuitos do colégio. Foi lá que nos conhecemos, passamos dois anos juntos e chegamos a morar aqui neste apartamento que agora divido com o Felipe por seis meses antes de ela decidir voltar para casa. Não houve nenhuma briga, nenhum rompimento entre nós, chegamos a cogitar a continuidade do namoro a distância, mas ela própria abortou a ideia.

Veja só. Essa mesma pessoa -- tão querida, tão próxima, com uma história inacabada ao seu lado -- recebe um email meu com o endereço deste blog e a sugestão de leitura. Mas eis que, ao decidir comentar, ela o faz no post do meu colega, e de uma maneira impessoal, como se quem estivesse aqui, abrindo as entranhas em público, fosse um casinho fortuito do colégio. E era.

-- Você viu que a Vanessa nos tratou da mesma forma?

-- O quê? Como assim? –- perguntou Felipe.

-- ‘Meninos’, ela nos chamou de ‘meninos’.

-- E o que isso quer dizer?

-- Que, para ela, nós dois estamos no mesmo nível. Eu, o namorado com quem até pouco tempo atrás ela dividia apartamento, e você… Espere, você conhecia a Vanessa?

-- Eu? Não, quer dizer, da escola. Nós éramos da mesma classe, um ano atrás de você. E, estudando juntos, a gente, assim, se conheceu.

-- Sei, então vocês trocaram umas bitocas nessa época…

-- É.

Veja só. Foi uma pergunta retórica, em tom de ironia. Eu não esperava uma confirmação. Não, eu jamais esperaria que a Vanessa pudesse ser capaz de ficar com alguém como o Felipe. Ele se esforçou em explicar que tudo aconteceu antes, os dois eram próximos, ele a ajudava em algumas lições, Vanessa era conhecida por ser fraca nas matérias exatas.

-- Vai ver ela ficou com pena de mim, na época.

Eu não concordei na hora, mas só pode ser isso. Eu não via explicação mais convincente. Veja, Felipe é um cara legal, mas nada interessante, ou pelo menos não é o tipo de cara que arranca suspiros das mulheres, digamos assim. Pena, só pode ser, só pode ser…

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O começo e o fim

Faz quase dois meses que Felipe veio morar em casa. Posso dizer que a imagem daquele moleque desengonçado que bateu na porta de em casa com uma mochila nas costas e um laptop debaixo do braço me assombra até hoje.

Foi surpreendente vê-lo são e salvo na minha frente, e com aquele objeto precioso e constante alvo de ladrões à mão. Para dizer a verdade, até torci para ele se ser assaltado, sequestrado quiçá, traumatizar-se com a cidade grande e voltar para a nossa querida e distante Bauru.

A ideia do blog conjunto foi dele, uma maneira de contarmos aquilo que jamais teríamos coragem de dizer na frente do outro, como o parágrafo acima. Ele criou o design e o endereço, mas fiz questão de que o primeiro post fosse meu, para não espantar potenciais leitores.

Estou me acostumando à ideia de escrever aqui. Sei que perder parte do meu tempo no blog me desvia dos grandes planos, de trabalhar nas verdadeiras ideias. Mas, como disse Felipe, pode ser uma forma de treino, de qualquer maneira. Quem sabe essa história não vira um filme qualquer dia?

Tenho um raciocínio meio complexo, coisa de quem é artista por natureza, talvez. Meu nome é José e tenho 20 anos. Estou em São Paulo há quase um ano para estudar cinema, minha maior paixão depois que Vanessa, minha ex, resolveu voltar para Bauru.

Tínhamos planos ambiciosos: montar uma produtora nesse pequeno apartamento que alugamos e fazermos filmes juntos, dirigidos e escritos a quatro mãos. Um dia, porém, ela resolveu voltar para casa. Foi uma decisão súbita: não havíamos brigado (nós nunca brigamos) e vivíamos uma deliciosa lua de mel, sozinhos e longe de nossos pais.

Foi difícil me recuperar. Enquanto padecia emocionalmente, as contas não paravam de chegar, e sem a grana que os pais de Vanessa mandavam não dava para me sustentar.

Estava quase desistindo e voltando para casa quando minha mãe me disse que um garoto, filho de uma amiga lá em Bauru, vinha para São Paulo estudar computação (na verdade, design de computador, ou algo do tipo).

Foi assim que Felipe passou a ocupar o sofá da sala e a produtora de cinema se transformou em um blog de internet. Bem, não deixa de ser um começo, não é mesmo?