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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Pandora

Acho que a situação deste blog passou um pouco dos limites. A maioria não sabe e espero que jamais saiba quem sou, mas a quantidade de pessoas que já conhecem a minha identidade verdadeira começa a me incomodar, e muito.

Primeiro, o próprio Felipe. Depois, a Vanessa e alguns dos amigos nerds do Felipe e que se acham o máximo só porque têm aqueles iBostas e outras bugigangas tecnológicas. E pensar que a minha intenção, no início, era mostrar o blog para o pessoal da faculdade. Ainda bem que mudei de ideia…

Enfim, acho que chegamos a um ponto de ruptura, agora que a garota com quem estou saindo não só sabe quem sou de verdade como acompanha o blog. Por sorte, consegui convencê-la de que a maioria das coisas que o Felipe escreve aqui não passa da tosca imaginação dele.

Imaginação esta que não foi capaz de ver que a Elena nada tem a ver com a personagem do Street Fighter a quem ele se inspirou para dar o apelido. O tonto provavelmente nem se deu conta de que a pele mais escura vem da ascendência libanesa da família dela. Ao contrário de mim, que viro um camarão quando vou à praia, a pele dela fica bronzeada de verdade.

Pois bem, no sábado combinamos de ir ao cinema assistir Avatar. É claro que, por mim, jamais perderia tempo com esse lixo hollywoodiano, mas achei que seria forçar a barra levá-la para ver algum europeu que, provavelmente, só eu entenderia.

Elena é, de fato, muito diferente das garotas com quem saí antes, e que na verdade se pareciam muito mais comigo. Imaginem que ela não sabia quem era Truffaut! Olhe que as outras poderiam até não saber, mas jamais admitiriam com tanta facidade e sem peso na consciência como ela fez.

Essa falta de conhecimentos básicos, que seria fatal para qualquer início de relação comigo, acabou não atrapalhando. Elena parecia me conhecer tão bem – provavelmente por ter me lido aqui – que era como se estivéssemos juntos há muito tempo. É, assim como o personagem principal do filme, estou me identificando cada vez mais com o meu avatar. Resta saber se conseguirei, ou desejarei, voltar…

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Garotas e garotas

O Felipe resolveu viajar na sexta-feira para passar o natal na praia e fingiu ignonar o meu apelo para apagar um comentário impertinente no post anterior. Eu tinha planos de passar o fim de ano em Bauru, até descobrir que a minha reputação também estava meio queimada por lá.

Apesar de dizer que não se importa mais e até de arrumar outro cara, é claro que a Vanessa não deixa de acompanhar esse blog. E ela acreditou mesmo que eu tivesse sido capaz de ir para cama com outra garota enquanto estávamos juntos.

- Quem é essa Majô? – ela me perguntou, ao telefone.

- Não sei, já pedi para o Felipe apagar esse comentário, mas ele sumiu do mapa, nem o celular atende.

- Como você pode fazer isso comigo, depois de tudo que eu aguentei do seu lado?

- Como assim? Vai dizer que acreditou naquela bobagem?

- Ora, será que depois de tudo o que aconteceu você ainda acha que não tem nenhum problema?

- Vanessa, essa garota que escreveu no blog é louca, eu…

É claro que ela não me deixou explicar. E também não vou reproduzir aqui o que ela me disse, apenas que foi o suficiente para ferir (um pouco) a minha autoestima.

Não é todo dia que você descobre que a garota com quem você esteve comprometido e apaixonado por dois anos é uma qualquer que ficava pensando em outros caras enquanto fazia amor e ainda tem a cara de pau de chamá-lo de… bem, vocês sabem o termo para homens incapacitados de dar prazer a uma mulher.

Entendo que ela estava com raiva por pensar que eu a traí, e só por isso resolveu me xingar e dizer todas essas mentiras. Por outro lado, esse deve ser um sinal inequívoco de que ela ainda me ama, apesar de insistir em dizer o contrário.

Deve ser mesmo difícil esquecer alguém como eu, Vanessa é uma pessoa inteligente, ao contrário dessas que o Felipe traz para casa só para me provocar, e aquele papo de sexo deve ter sido apenas uma maneira subjetiva de ela querer me atingir.

O nível intelectual das garotas em geral é mesmo muito baixo, mas um dia hei de encontrar alguma que consiga me compreender em toda a minha complexidade. Alguém se habilita?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Assim é que se faz

Muitos já perceberam que este é um blog de ficção. Quem ainda não o fez que leia o aviso ao lado, ou então o último post do Felipe. É claro que ninguém acreditou que eu iria ficar o dia inteiro de bode na sala por causa de uma ex-namorada que resolveu ir embora há quase meio ano. Logo eu que nunca assisto a essas bobagens da TV…

Se fiquei chateado, foi porque a volta dela representaria a expulsão automática do companheiro de república fofoqueiro que me arrumaram. E também porque estou realmente muito sem grana, enquanto vejo esse figura com quem eu divido o apartamento o gastar dinheiro que ele ganha sei lá como em parafernalhas tecnológicas inúteis.

Mas pelo menos ganhei uma folga neste feriado. Assim como o Felipe aproveitou a minha ausência para fazer uma festinha (provavelmente um campeonato de videogame hahahahaha), eu também passei os três dias muito bem acompanhado.

Convidei a Lara para conferir alguns DVDs clássicos da minha coleção, e com o sofá e o resto do apê livre vocês podem imaginar o que aconteceu! Acabamos nós mesmos fazendo nosso próprio filme, e com cenas pra lá de picantes... E com tantas continuações que deixariam Jason e Halloween com inveja!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Escola de Bastardos

Eu sou um tipo meio viciado nas coisas que faço, admito. Quando começo algo, não consigo parar enquanto não termino. Foi assim neste feriado em que acabei não viajando, por conta do maldito mapa de uma fase do jogo que estou desenvolvendo com dois amigos. Vocês não sabem o quanto é difícil desenhar uma palmeira decente. OK, prometo parar com a nerdice… O_O

Imaginei que teria o apartamento só para mim neste fim de semana prolongado, mas o Zé também ficou em Sampa, envolvido com as coisas da mostra de cinema. Ele gastou uma grana que não tinha para comprar um daqueles ingressos especiais, que dão direito a entrada em todas as sessões.

Nos falamos pouco até ontem à tarde, quando a Lara apareceu em casa. Era a primeira vez que a encontrava desde o incidente de semanas atrás. Ficou na cara que o Zé não gostou nada de vê-la ali, ele tinha prometido não trazê-la de volta ao apê para que eu não pudesse comentar mais nada no blog.

- Nós vamos ao cinema, quer ir também? – ela me convidou.

- NÃO! – disse o Zé, quase gritando - Esses filmes da mostra são muito cabeça pra ele.

- Quer saber, também estou cansada da mostra, por que não vamos assistir ao novo do Tarantino?

- Não sei, não quero atrapalhar nada – eu falei.

- Não vai, pode ter certeza – Lara disse, puxando meu braço e me tirando quase à força do sofá, com laptop e tudo.

Fiquei meio sem graça, mas precisava me distrair um pouco depois de quase três dias inteiros sem pôr os pés fora de casa. Fomos os três no carro da Lara. Notei uma mudança no comportamento dela com o Zé. Aquele ar de admiração deu lugar a uma ironia, o jeito como falava com ele era desafiador o tempo todo. Já o meu amigo parecia bem menos confiante, mas lutava para manter a pose e descarregava a raiva em mim sempre que podia.

Não vou aqui falar do filme, pois não sei se quem lê este blog já assistiu (mas deveria!). Até eu, que não sou um grande fã do Tarantino, saí de alma lavada do cinema. Foi o que eu disse a Lara quando ela me perguntou, já na praça de alimentação, o que eu achei do filme. O Zé tinha uma opinião mais elaborada, e era algo mais ou menos assim:

- Tarantino realizou um caso raro de “wishful thinking”, de realizar na tela algo que todos nos desejamos. Houve outras fantasias históricas sobre Hitler, mas não em forma de aventura picaresca com os fatos e estereótipos…

Lara olhou-me por um instante, parou para pensar, e disparou:

- Espere, acho que li isso em algum lugar. Zé, essa opinião é sua mesmo ou de algum crítico de cinema?

- Ora, ora, é minha, como não? É claro que eu li algo a respeito do filme, é minha obrigação como estudioso, assim como vc, mas, ora, eu…

Ele gaguejou mais um pouco, até ela interrompê-lo com um beijo bem quente, que (ok, confesso!) me deixou com uma ponta de inveja e saudades das minhas “emos oferecidas”, como diz o Zé.

No carro, Lara insistiu para subir ou para eles irem à casa dela, mas o Zé estranhamente alegou estar ocupado em um projeto, falando no mesmo tom gaguejante.

Quase me ofereci para ir no lugar dele - e acho que ela seria capaz de aceitar, só pelo descaso - mas o maldito instinto de camaradagem masculina falou mais alto.

Acabamos a noite com os dois assistindo “Super Escola de Heróis”, na Tela Quente - ele, para variar, falando mal do filme o tempo inteiro.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Vida Como Ela É

Então aqui estou eu, em meio a uma trama que deixaria Nelson Rodrigues corado de vergonha, graças ao meu colega de República. O pobre imaginou que a reação ao último post dele me faria perder a cabeça e partir para a ignorância. Como se eu fosse sujar minhas mãos quando meu verdadeiro talento está no intelecto... Ora, Felipe, eu deveria agradecê-lo por ter mais uma oportunidade de humilhá-lo em público!

Vejamos: parece que diante de uma descrição um tanto fantasiosa do cara que paga para dormir no meu sofá as pessoas foram levadas a pensar que eu tenho alguma espécie de problema de ereção, vejam só… Ora, quem lê este blog sabe que já tive uma namorada por dois anos. E ela nunca reclamou da minha, digamos, performance debaixo dos lençóis.

Caros, a minha relação com Lara Croft (gostei do apelido, apesar de não ter a menor ideia de quem seja) vai muito além de questões sexuais. Ao contrário do Felipe, que se atraca com qualquer emo oferecida por aí, eu tenho um mínimo de critério.

E isso inclui uma boa dose de seleção natural (beleza é claro) e, principalmente, intelectual. Não que Lara seja um poço de sabedoria (imaginem que ela nunca havia assistido um Fellini antes…), mas, para usar um termo vulgar, “dá para o gasto”.

Naquela noite fatídica, estávamos apenas cansados, havíamos discutido muito uma ideia minha para um projeto de roteiro. Ficamos um tempo (não sei exatamente quanto) lá no quarto conversando, os dois nus, como em uma cena de um bom filme francês, enquanto na sala o Felipe – sozinho - assistia a mais um filme ridículo de Hollywood.

O sexo ali era completamente desnecessário, Lara e eu estávamos obtendo uma outra forma de prazer, muito mais elevada. Ela provavelmente riria muito – assim como eu ri – quando li o post do meu amiguinho nerd... Então, foi bom pra você, Felipe?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Viva a noite

Acabei conhecendo a nova garota do Zé, a quem vou chamar carinhosamente de Lara, pela semelhante com a musa do Tomb Raider (não revelo a semelhança nem sob tortura).

Foi meio que sem querer. Estava em casa no sábado à noite terminando um projeto (conto depois, me cobrem) e assistindo a TV quando os dois chegaram. O Zé me olhou com aquela cara de “que diabos vc está fazendo aqui”, mas não tinha me avisado nada que traria alguém em casa. Foi a primeira vez que isso aconteceu desde que passamos a dividir o apê

Lara foi bem simpática. Ela parecia admirada com o conhecimento do Zé em cinema, literatura e afins e, como eu se esforçava em acompanhar o raciocínio complicado dele.

Os dois fizeram um macarrão e tomaram um vinho na cozinha, enquanto eu fiquei na sala, sem ter para onde ir, já que é o lugar onde eu durmo no nosso apê de um quarto. Beberam umas duas taças e se trancaram no quarto.

Vejam, eu fiz um esforço para não ouvir o que rolava lá dentro, havia acabado de começar um filme bem legal no SBT (O Advogado do Diabo), mas a verdade é que não deu para ouvir muita coisa mesmo. Primeiro uma conversa, uns gemidos de leve, depois mais conversa e uns sons não identificados.

Não contei quanto tempo se passou, mas quando os dois saíram do quarto o filme ainda estava na segunda parte. Ela passou primeiro, dando um tchau rápido quando passou por mim. O Zé foi atrás dela, sem falar comigo.

Confesso que não entendi, os dois devem ter brigado, mas ela não tinha cara de quem estava nervosa, só o Zé, que transpirava debaixo dos óculos. Da porta do quarto aberta, vi uma cena pra lá de estranha: um monte de preservativos e embalagens abertas espalhados em volta da cama.

Na volta, perguntei ao Zé o que aconteceu, mas adivinhem se ele respondeu? Apenas se trancou no quarto, não sem antes dizer que o filme da TV era uma droga.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cinema novo, garota nova

Eu só gostaria de deixar uma coisa clara: Felipe e eu não somos amigos. Eu nem sequer sabia quem ele era até dois meses atrás, apesar de ele me conhecer como veterano na escola onde estudamos em Bauru.

Por um acaso do destino ele dorme na sala do apartamento onde eu moro e divide as despesas comigo, pelo menos até que as coisas comecem a dar certo para mim aqui em Sampa, o que eu espero que aconteça em breve.

Pode parecer soberba da minha parte, e é mesmo. Não vou dizer que não fiquei chocado quando soube que o Felipe ficou com a minha ex, mas nada que tenha tirado o meu sono. Se por acaso fiquei sem falar com ele foi porque simplesmente tinha mais o que fazer.

Se Felipe fosse meu amigo, não saberia só aqui pelo blog que já estou de rolo com uma garota da faculdade. Começamos um lance durante uma festa da turma na sexta passada, depois de um papo regado a muito álcool e Cinema Novo.

Não, Felipe! Cinema Novo não é aquele que inauguraram recentemente no shopping perto de casa… hahahahaha